Urbanização Artificial

· Cadernos de Pesquisa #16 da Escola da Cidade

Os registros imagéticos aqui apresentados procuram investigar relações dos usuários, bem como dos usos das plataformas e das ferramentas de geoprocessamento da cidade, para a construção de suas paisagens, mesmo que artificiais. Procura-se aqui espelhar uma realidade e tensionar aquilo que é representado enquanto cidade ou paisagem pelo Google Earth. Todas as fotografias foram feitas pela autora e são registros das intervenções realizadas pelos próprios usuários desta interface.

São casas, prédios, arborização, ruas e calçadas, pontes, edifícios em construção, manutenção de infraestruturas urbanas, cidades por completo, que são inseridos em contextos urbanos-artificiais que o Earth não deseja construir. Mais do que um mero levantamento de prédios gelatinosos, daqueles que observamos ao acessar a cidade de São Paulo e outras regiões centrais, as fotografias apresentadas são registros das periferias, de cidades interioranas, e/ou de regiões com pouco interesse para o mercado. Nesses locais cabe aos moradores inserir suas próprias casas e aos empreiteiros atestar suas paisagens.

Afinal, no mundo contemporâneo, estar na internet é também certificar uma certa existência.

Texto: Tamara Crespin · Orientação: Joana Barossi